domingo, 31 de janeiro de 2016

Cabo Verde também é isto

Nos últimos dias tenho andado um pouco tonta e com dificuldades em dormir.  Pode ser uma questão de ansiedade ou mesmo tensão arterial baixa. Isto porque por cá resolvo sempre abolir o café e porque temos tido umas tardes bastante quentes.
Surpreendente é que, nas farmácias que abundam pelo centro da cidade, nenhuma tem um medidor de tensões. Ontem chegaram a dizer-me mesmo que as farmácias não estão equipadas com isso... que tenho de me deslocar ao banco de urgência do hospital. Uma anedota.
Costumo dizer por brincadeira que a minha relação com Cabo Verde é de extremos, oscilando entre o amor e o ódio. Tem dias em que deixa de ser brincadeira e em que o sinto realmente.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Sobre o Fogo

O Fogo é capaz de ser a ilha que mais gostei de conhecer. Não existe um único motivo para não gostar.
As pessoas são muito simpáticas, a morabeza aí é impressionante! E, por outro lado, o assédio às mulheres, principalmente às 'branquela' (como aqui se diz) não é desmesurado. Parece existir mais respeito e talvez menos sexismo.
Para além de simpáticas, são super trabalhadoras, até impressiona! Pelas ruas, não se vê gente parada. Toda a gente a trabalhar, nos pavimentos, nos campos, ou a carregar água, colheitas ou fardos de palha. No atendimento é também impressionante. Tudo altamente limpo, tratado, muito atenciosos e rápidos. Devo dizer que nunca em Soncente fui atendida como no Fogo, à excepção de um restaurante em S. Pedro, chamado de Santo André, que é gerido por um sueco aposentado, onde a comida e o serviço são excelentes, mas demasiado longe de casa para quem não tem carro.
Para além do serviço, a comida e o vinho, são top! Existe carne maravilhosa, de vacas bem alimentadas e muitos vegetais, fruto de uma terra muito fértil. Ficamos a conhecer o nome dado ao vinho caseiro do Fogo, o Manecon (adorei o nome!) mas, fizemos questão de regar os nossos jantares sempre com vinho Chã, de Chã das Caldeiras, um vinho muito alcoólico (14º), saboroso e caro, não fosse a última erupção de 2014-2015 ter arrasado praticamente toda a vinha.
E a paisagem é também ela incrível. Por um lado, a fertilidade do solo faz com que exista imensa vegetação por todo o lado e, por outro, essa mesma fertilidade dá de comer a muito mais gente, de uma forma eficaz. Isso acaba por se reflectir no tratamento das fachadas e nos arranjos exteriores de um modo espectacular. Para além disso, a presença dos vulcões alteram totalmente a paisagem, tornando-a quase lunar.
A força das pessoas que viram as suas casas e todos os seus bens consumidos pela lava faz agora um ano também me marcou profundamente. Longe de ficarem à espera dos subsídios que não chegam, agarram-se à vida com aquilo que lhes restou, recomeçando de novo e olhando para o vulcão quase com admiração e sem raiva nenhuma.
Praia de S. Filipe.

Paisagem lunar.

Paisagem lunar.

A cobertura de uma casa completamente submersa de lava solidificada.

Vulcão.


Entre Soncente e o Fogo

Este fim de semana estive no Fogo.
O Janeiro em Soncente é tempo de muitos feriados... Dia 13, dia 20 e, para mais, o dia do município, dia 22. Foi óptimo poder aproveitar os dois últimos para ir dar um giro.
Na nossa incursão pela ilha, conhecemos esta música. No momento a única coisa que percebemos foi que 'Soncente era sabe', ou seja, que São Vicente era bom! ERA! :D
Foi de rir. Depois, tivemos o privilégio de ouvir uma explicação da música, de como São Vicente teria sido em tempos um espaço de 'privilégio'.
O clip, fica também as imagens históricas de Soncente. Vale bem a pena!



sábado, 16 de janeiro de 2016

Praia de Bote

A Praia de Bote situa-se mesmo em frente ao centro da cidade do Mindelo. Fica encaixada entre o Mercado do Peixe e o Pont d'Agua, dois pólos distintos da cidade. De um dos lados temos gente muito pobre e trabalhadora e, do outro, um espaço que retrata muito bem os conflitos de interesses e as politiquices deste país, com um espaço muito destinado ao turista e aos mais privilegiados, socialmente falando.
Esta praia não é para 'fazer praia' mas é um estaleiro de botes de pesca (que é a expressão mais comum para dizer barco por cá). É um local muito importante para a comunidade, tem sempre muita gente a trabalhar e é um espaço muito genuíno.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Porque amanhã é feriado!

Amanhã é feriado em Soncente e hoje foi dia de sair do trabalho directamente para a Lajinha.
Sentada na esplanada e não na areia, tenho à minha frente uma caipirinha (200 escudos, ou seja, 2€!) E este por do sol maravilhoso!

domingo, 10 de janeiro de 2016

E cai o fim de semana.

O fim de semana foi realmente bom. Solitário mas muito bom. Dois dias de muito sol e calor.
Deu para descansar e bronzear mas amanhã já é dia de trabalho, de muito trabalho.
Espero ter carregado bem as baterias!

'Luto' desfeito

Cheguei há uma semana e apenas ao fim deste tempo senti vontade de voltar à Lajinha.
É óptimo sentir-me bem comigo mesma. E sentir-me bem é isto mesmo. A capacidade que temos de estar sozinhos em qualquer parte do mundo e ter a situação controlada e, se possível, aproveitar cada raio de sol.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Mimo de hoje!

Grana Padano de São Vicente, uma verdadeira iguaria! 200 gr a 400 escudos (aproximadamente 4€)! Uma pequena fortuna, mas é delicioso.

Dina-Mica

Dia de Reis

Hoje é um dia especial e não apenas porque é Dia de Reis.
Faz hoje 15 anos que estou com o João e, pela primeira vez, não estou com ele para que possamos festejar do nosso jeito.
Mas a vida é mesmo assim. Por mais pena que sinta, sei que é assim mesmo que tem de ser.
Por cá não se ouve nada relativamente aos Reis, mas as iluminações de Natal continuam ao rubro!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Colombinho

Hoje vim ao Colombinho, um Snack Bar com pratos do dia, mesmo no centro. Apesar de ser muito central em relação à cidade, fica numa rua secundária, com pouco movimento.  Para além disso,  a sua localização no interior de uma galeria comercial confere-lhe ainda um ambiente intimista e tranquilo.
Aqui o edifício abre-se num pátio interior e há musica. As melodias do costume, suaves e mornas, como o próprio nome indica.
O tempo já não está propriamente insuportável de calor. Os 24º que se fazem sentir são bem amenos debido à brisa fresca constante. (Mãe, está na altura de cá vires, tu que não toleras o calor!)
Apesar de tudo, os enfeites de Natal destoam. Soa estranho ver pinheirinhos cheios de neve artificial, com um pai natal todo agasalhado, no meio de gente que nem casacos usa.
A semana já vai a meio e não me posso queixar. Para já o sol continua a brilhar e o trabalho é, como de costume, muito! Portanto o tempo acelera um pouquinho mais; o que é óptimo.
Quando o ritmo aperta a sério, costumo ter como ponto de referência a Quarta-feira, ponto até ao qual a semana é mais exigente. "Daqui até poder ir para a Lajinha apanhar sol, é um tirinho!", é o que costumava pensar.
Há que voltar a adoptar a mesma estratégia!

Ao som de um trompete

Na tarde de ontem fui parar a una sala onde não é meu costume trabalhar. A dada altura a correcção de trabalhos foi interrompida por uma melodia maravilhosa. O som doce e suave de um trompete aproximava-se. Corri para a janela para perceber o que se passava.

Para minha surpresa era um cortejo fúnebre que reunia uma pequena multidão e que ocupava a totalidade de uma das principais ruas da cidade.

As pessoas vestiam maioritariamente de branco e seguiam em silêncio o trompetista, que por sua vez seguia o carro que transportava o corpo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Hora de almoço

Hoje é assim. Não tão bom quanto ontem, será evidente, mas desta há peixinho fresco, bem bom!

Peixe serra grelhado, muito semelhante ao atum mas mais branco e um pouco menos comum.

Já tinha olhado várias vezes para esta varanda do Chave d'Ouro que é,  basicamente, um restaurante que pertence a uma residencial com o mesmo nome.

O edifício é daqueles de estilo colonial, com umas portadas de alto a baixo e varandas bem trabalhadas.

E fica no cruzamento entre as duas principais ruas do Mindelo, a rua de Lisboa e a outra que ainda não sei o nome (mas que sei que tem efectivamente nome, ao contrário de muitas outras).

A simpatia e simplicidade das pessoas é singular. Apetece sentar e ficar pela tarde fora a ouvir o elenco infindável de mornas que passa na rádio.

Hoje sinto-me bem. O sol continua a brilhar e quase já me sinto de novo apaixonada pela solidão.

Estar por cá é também isso, fazer um exercício terapêutico de me aturar a mim mesmo e aos meus pensamentos, por mais confusos que me surjam.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Hoje é assim.

Hoje almoca-se assim. Porque é dia de voltar ao trabalho num novo ano. Porque é a primeira vez na minha vida que tenho um emprego para o qual voltar depois das férias. Porque é dia de desfazer um luto parvo de deixar a minha casa, família e amigos e porque é dia de agarrar de frente a minha nova realidade. Porque deve ser (e é) um dia de satisfação e não de mágoas.

Hoje, depois de 3 meses resolvi experimentar a pizzaria Mamamia, no ponto d'agua, mesmo na baía do Mindelo, de frente para o mar e para o Monte Cara. E está-se bem.

Como estou sozinha resolvi experimentar um sitio novo e fresco e aqui estou.

É dia 4 de Janeiro e estão 24º e céu limpo. Só motivos bons para me sentir grata.

domingo, 3 de janeiro de 2016

As primeiras 24h são as piores.

As primeiras 24h deste meu retorno à minha casa no Sul, foram brutais. Mas felizmente amanhã já é dia de trabalho e o longo dia de Domingo já se pôs. 
Talvez porque da primeira vez a adaptação foi tão tranquila, agora, depois de um mês totalmente disponível para a família e para os amigo, caiu-me tudo. 
Deu para sentir tudo de mau. Mindelo pareceu-me feio, sujo, antipático e malcheiroso. Tudo. Tudo coisas feias e más, inventadas pela minha cabeça e pela repulsa que sinto em ficar longe de casa e de todos que gosto. 
Mas amanhã o trabalho começa e já se faz noite, finalmente. Já acalmei os ânimos e sacudi todos os sentimentos maus que trazia nas últimas 24h dentro de mim, resignada à minha decisão de mergulhar de cabeça nesta aventura. Consciente da necessidade de o fazer. 

Amanhã é um novo dia. E hoje, espero não ter uma longa noite pela frente. 

De volta à realidade.

Lá teve de ser. A volta era inevitável.
Não posso negar como me sinto... Depois de passar um mês com quem mais amo neste mundo, com todas aquelas pessoas que tanto gosto, é evidente que me sinto sozinha.

Sozinha na casa de cá, há pouco mais de 1h, dei já por mim várias vezes a pensar 'Onde anda o Sherlock?'.

No entanto, o sol brilha no Mindelo.
Adeus casacos de fazenda e botas de cano alto.

(À espera de que estes primeiros dias passem bem rápido.)