É assim. É impressionante a volta que o tempo dá em poucos minutos. E tal como de repente começa a chover, também num ápice, volta um sol escaldante.
A parte complicada é que o ar, que já é húmido q.b., fica insuportável quando chove...
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Como se vive
Viver em Cabo Verde é caro. Principalmente se tivermos em consideração que o ordenado mínimo está afixado nos 11 000 escudos (ou 11 contos, como se diz por cá). Essa quantia é menos de 110€.
Na semana passada, numa visita ao mercado do peixe e à Praça Estrela (mercado de fruta e legumes), comprei esta coisa toda por 800 escudos, o que será pouco menos de 8€. Fiquei super contente com os negócios que fiz, principalmente com o peixe. As duas dobradas (sim, são dobradas e não douradas), custaram-me 100 escudos (menos de 1€!).
No entanto, ponho-me a pensar. Estou aqui sozinha, e o que vou comprar é para consumo próprio. Não tenho uma família para sustentar. Questiono-me como conseguem estas pessoas ter o que comer. Isto porque, se estes produtos locais até foram baratos para aquilo que estou habituada, o resto das coisas que são importadas (arroz, azeite, açucar, ...) é, por norma, o mesmo preço que em Portugal, ou mais caro.
Dá que pensar... Não admira que se coma tanta cachupa, que é o que de facto sai mais barato.
Sobre o crioulo.
Ontem mostraram-me este site para descobrir mais sobre o crioulo. Devo dizer que é uma língua bem difícil de aprender.
Foi surpreendente deparar-me com uma situação em que o 'português' não passa de uma formalidade. Ou seja, é comum encontrar pessoas que não falam português ou que o falam muito mal. Esta questão está muito relacionada com os níveis de escolaridade de cada um.
Na família e na sociedade, fala-se crioulo, sempre. O português é introduzido na vida das pessoas assim que elas entram para a escola e passam a ter a disciplina de língua portuguesa (tal como em Portugal temos). Deste modo, quanto mais baixo é o nível de escolaridade, mais frágil é o nível do português.
A minha questão é, porque é que o português é a língua oficial em Cabo Verde? Por ser uma ex-colónia portuguesa?
Antes de cá chegar imaginava que o crioulo seria uma espécie de dialecto, mas agora sinto que é a identidade desta gente.
Como nunca encontrou uma 'oficialização', o crioulo persiste ao nível da oralidade, oscilando em conformidade com a ilha, ou com a zona em que se vive. Isto implica ainda formatos de escrita que variam muito, como se não se soubesse ao certo como se escreve determinada coisa. (Daí que ache que a sua persistência diz respeito ao domínio oral... Sendo transmitido de pais para filhos, consoante se vai falando.)
Considero, assim, que o crioulo é uma língua orgânica, com vida dada através de quem a fala, com recortes e acentuações particulares.
Não falar crioulo é aquilo que mais me afasta de Cabo Verde e isso, de alguma forma, entristece-me. Tenho de tratar disso!:)
Foi surpreendente deparar-me com uma situação em que o 'português' não passa de uma formalidade. Ou seja, é comum encontrar pessoas que não falam português ou que o falam muito mal. Esta questão está muito relacionada com os níveis de escolaridade de cada um.
Na família e na sociedade, fala-se crioulo, sempre. O português é introduzido na vida das pessoas assim que elas entram para a escola e passam a ter a disciplina de língua portuguesa (tal como em Portugal temos). Deste modo, quanto mais baixo é o nível de escolaridade, mais frágil é o nível do português.
A minha questão é, porque é que o português é a língua oficial em Cabo Verde? Por ser uma ex-colónia portuguesa?
Antes de cá chegar imaginava que o crioulo seria uma espécie de dialecto, mas agora sinto que é a identidade desta gente.
Como nunca encontrou uma 'oficialização', o crioulo persiste ao nível da oralidade, oscilando em conformidade com a ilha, ou com a zona em que se vive. Isto implica ainda formatos de escrita que variam muito, como se não se soubesse ao certo como se escreve determinada coisa. (Daí que ache que a sua persistência diz respeito ao domínio oral... Sendo transmitido de pais para filhos, consoante se vai falando.)
Considero, assim, que o crioulo é uma língua orgânica, com vida dada através de quem a fala, com recortes e acentuações particulares.
Não falar crioulo é aquilo que mais me afasta de Cabo Verde e isso, de alguma forma, entristece-me. Tenho de tratar disso!:)
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| (Não sou, mas consigo entender o orgulho!) http://www.keepcalm-o-matic.co.uk/p/keep-calm-mi-e-de-soncente/ |
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Em Roma, sê Romano.
Hoje descobri a camoca à venda no mini-mercado!
Este alimento é basicamente milho torrado e moído e tem a consistência de uma espécie de farinha. Já tinha provado um gelado à base de camoca (que amei) e uma mistura de camoca com outros ingredientes, mas foi a primeira vez que provei este alimento puro, sem aditivos.
Para além de servir para fazer gelados, papas ou outras misturas, come-se sem nada, tirado directamente do saco.
É estranho, admito que sim, mas o sabor é mesmo muito agradável!! :) Estou rendida!
Alto de Bomba
Ontem partimos na nossa primeira incursão por Alto de Bomba. Este espaço é o que mais se assemelha à imagem de favela que por norma (re)conhecemos.
Apesar disso, Alto de Bomba (tal como poderão ver na imagem) tem uma relação extraordinária com a baía do Mindelo, unindo-se totalmente à malha que compõe a cidade, porém num traçado espontâneo e orgânico.
Visto de cima, conseguimo-nos aperceber, ainda, que o aglomerado não é denso como bairros de lata existentes em outros pontos do mundo. As construções são mais fluidas, encontrando ao longo da encosta diversos espaços vazios e, portanto, a oportunidade de requalificar estes interstícios em espaços públicos com alguma dignidade.
À primeira vista, encontramos um lugar em suspenso, composto por habitações que parecem inacabadas, com tijolos de cimento à vista e janelas sem caixilharia (ou vidro). Os cabos eléctricos que sobrevoam a paisagem denunciam a existência da luz nestas unidades habitacionais, no entanto, os odores que por aí se sentem apontam também para a ausência de uma rede de saneamento.
Senti-me esmagada. Uma experiência absolutamente arrebatadora.
Apesar disso, Alto de Bomba (tal como poderão ver na imagem) tem uma relação extraordinária com a baía do Mindelo, unindo-se totalmente à malha que compõe a cidade, porém num traçado espontâneo e orgânico.
Visto de cima, conseguimo-nos aperceber, ainda, que o aglomerado não é denso como bairros de lata existentes em outros pontos do mundo. As construções são mais fluidas, encontrando ao longo da encosta diversos espaços vazios e, portanto, a oportunidade de requalificar estes interstícios em espaços públicos com alguma dignidade.
À primeira vista, encontramos um lugar em suspenso, composto por habitações que parecem inacabadas, com tijolos de cimento à vista e janelas sem caixilharia (ou vidro). Os cabos eléctricos que sobrevoam a paisagem denunciam a existência da luz nestas unidades habitacionais, no entanto, os odores que por aí se sentem apontam também para a ausência de uma rede de saneamento.
Senti-me esmagada. Uma experiência absolutamente arrebatadora.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Encarando o céu
Por onde quer que ande, ali está ela, encarando o céu.
É o Monte Cara, um perfil de gente que se delinea no topo da montanha, como algo (ou alguém) que ali está, entre o céu e a terra.
É o Monte Cara, um perfil de gente que se delinea no topo da montanha, como algo (ou alguém) que ali está, entre o céu e a terra.
S. Pedro by night
A noite passada fomos jantar a S. Pedro e tive a oportunidade de experimentar uma coisa nova!
Como éramos 6 pessoas para uma carrinha de caixa aberta, alguns de nós fomos na parte de trás.
Ao contrário daquilo que acontece em Portugal, cá não é ilegal, aliás é prática comum.
(Mãe, pai, foi super seguro e tranquilo! O condutor conduzia bem devagarinho e a estrada era na sua generalidade alcatroada!)
Em S. Pedro parece que ficamos mais perto do céu. As estrelas parece que cintilam com mais força e ampliam-se na sua dimensão. Talvez fosse por causa da ausência de luz :)
Como éramos 6 pessoas para uma carrinha de caixa aberta, alguns de nós fomos na parte de trás.
Ao contrário daquilo que acontece em Portugal, cá não é ilegal, aliás é prática comum.
(Mãe, pai, foi super seguro e tranquilo! O condutor conduzia bem devagarinho e a estrada era na sua generalidade alcatroada!)
Em S. Pedro parece que ficamos mais perto do céu. As estrelas parece que cintilam com mais força e ampliam-se na sua dimensão. Talvez fosse por causa da ausência de luz :)
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