terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

coisas de que uma emigrante sente falta, v2.0

Hoje estou assim, meio desapontada com a vida.
Quem imagina o que é viver num território insular disperso pelo Oceano Atlântico, que se afasta tanto da Europa como de África, pode apenas imaginar.
Isto é dureza.

Esta semana a ler este artigo dei por mim revoltada. Ou com um misto de revolta e vontade de rir.
Qual bica ou qual multibanco...? Eu sinto falta de um banho quente e de me esticar num sofá. Sinto falta das pessoas que amo e dos bichos que amo tanto quanto das pessoas. Sinto falta de abrir o roupeiro e ter tudo o que preciso. Sinto falta de ter sítios onde ir, conforme me apeteça. Sinto falta de dizer disparates daqueles que digo apenas junto de alguns. Sinto falta de abraçar o meu cão e de falar com ele, e de imaginar que ele me responde, ou de interpretar as suas respostas no seu olhar.

Por vezes revolto-me a pensar como é complicado fazer-me entender. Outras vezes nem falo para que ninguém se preocupe ou me interprete mal, como se estivesse em sofrimento, coisa que não estou.

Apenas se torna complicado, como um fosso existente entre a minha realidade de agora e aquela de onde venho.

É tudo tão básico, todas as necessidades tão básicas.

Todos os dias me pedem comida ou uma moeda na rua. Todos os dias dou por mim a pensar como posso ajudar esta ou aquela pessoa.

Se pudesse explicar. Mas parece que as palavras não chegam.




terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Coisas que me dão alento

(à excepção daquela camisola do SLB que o meu sobrinho traz vestida!)


De frente para o Monte Cara, mas com outra perspectiva.

Nos últimos meses, vi-me envolvida num projecto que me está a dar um gosto incrível! Por um lado, é uma causa e uma possibilidade extraordinárias mas, por outro, marcou-me pelo contacto com as pessoas.
Na primeira implementação do projecto, fui parar à casa-lata. Esta construção fica na Canelona, em Chã de Alecrim, na zona Nordeste da baía do Mindelo. Esta é uma zona periférica, à semelhança de outros contextos onde temos estado a trabalhar. 
A diferença é que aqui fomos recebidos de braços abertos porque já conheciam a Lara do projecto de 2011. 
Nesta casa feita de tambores da Enacol, vivem 11 pessoas (os 2 pais, os 5 filhos, e já 4 netos, todos com menos de 5 anos), sendo que o ordenado maior (do pai de família) ronda os 15, 16 euros. 

Esta história mexeu violentamente comigo.
Fez-me repensar tudo. 


1 mês para ir a casa


Os Cães de Soncente _ Parte III

Sim, quem está sentada com um cão no colo, sou eu mesmo! :) O segundo cão também acabou por me subir para cima. Conclusão: pulguinhas!
Esta fotografia foi tirada por uma aluna, em Ilha d'Madera, num dia em que planeamos uma feijoada com a comunidade. Temos estado a trabalhar neste contexto que é bem pobre, mas muito rico de espírito!


Quando o desconsolo aperta...

Até pêssego em calda vai!