Hoje estou assim, meio desapontada com a vida.
Quem imagina o que é viver num território insular disperso pelo Oceano Atlântico, que se afasta tanto da Europa como de África, pode apenas imaginar.
Isto é dureza.
Esta semana a ler este artigo dei por mim revoltada. Ou com um misto de revolta e vontade de rir.
Qual bica ou qual multibanco...? Eu sinto falta de um banho quente e de me esticar num sofá. Sinto falta das pessoas que amo e dos bichos que amo tanto quanto das pessoas. Sinto falta de abrir o roupeiro e ter tudo o que preciso. Sinto falta de ter sítios onde ir, conforme me apeteça. Sinto falta de dizer disparates daqueles que digo apenas junto de alguns. Sinto falta de abraçar o meu cão e de falar com ele, e de imaginar que ele me responde, ou de interpretar as suas respostas no seu olhar.
Por vezes revolto-me a pensar como é complicado fazer-me entender. Outras vezes nem falo para que ninguém se preocupe ou me interprete mal, como se estivesse em sofrimento, coisa que não estou.
Apenas se torna complicado, como um fosso existente entre a minha realidade de agora e aquela de onde venho.
É tudo tão básico, todas as necessidades tão básicas.
Todos os dias me pedem comida ou uma moeda na rua. Todos os dias dou por mim a pensar como posso ajudar esta ou aquela pessoa.
Se pudesse explicar. Mas parece que as palavras não chegam.
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