segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Hoje é assim.

Hoje almoca-se assim. Porque é dia de voltar ao trabalho num novo ano. Porque é a primeira vez na minha vida que tenho um emprego para o qual voltar depois das férias. Porque é dia de desfazer um luto parvo de deixar a minha casa, família e amigos e porque é dia de agarrar de frente a minha nova realidade. Porque deve ser (e é) um dia de satisfação e não de mágoas.

Hoje, depois de 3 meses resolvi experimentar a pizzaria Mamamia, no ponto d'agua, mesmo na baía do Mindelo, de frente para o mar e para o Monte Cara. E está-se bem.

Como estou sozinha resolvi experimentar um sitio novo e fresco e aqui estou.

É dia 4 de Janeiro e estão 24º e céu limpo. Só motivos bons para me sentir grata.

domingo, 3 de janeiro de 2016

As primeiras 24h são as piores.

As primeiras 24h deste meu retorno à minha casa no Sul, foram brutais. Mas felizmente amanhã já é dia de trabalho e o longo dia de Domingo já se pôs. 
Talvez porque da primeira vez a adaptação foi tão tranquila, agora, depois de um mês totalmente disponível para a família e para os amigo, caiu-me tudo. 
Deu para sentir tudo de mau. Mindelo pareceu-me feio, sujo, antipático e malcheiroso. Tudo. Tudo coisas feias e más, inventadas pela minha cabeça e pela repulsa que sinto em ficar longe de casa e de todos que gosto. 
Mas amanhã o trabalho começa e já se faz noite, finalmente. Já acalmei os ânimos e sacudi todos os sentimentos maus que trazia nas últimas 24h dentro de mim, resignada à minha decisão de mergulhar de cabeça nesta aventura. Consciente da necessidade de o fazer. 

Amanhã é um novo dia. E hoje, espero não ter uma longa noite pela frente. 

De volta à realidade.

Lá teve de ser. A volta era inevitável.
Não posso negar como me sinto... Depois de passar um mês com quem mais amo neste mundo, com todas aquelas pessoas que tanto gosto, é evidente que me sinto sozinha.

Sozinha na casa de cá, há pouco mais de 1h, dei já por mim várias vezes a pensar 'Onde anda o Sherlock?'.

No entanto, o sol brilha no Mindelo.
Adeus casacos de fazenda e botas de cano alto.

(À espera de que estes primeiros dias passem bem rápido.)

domingo, 6 de dezembro de 2015

É hoje!

É hoje que durmo na minha cama com o meu marido e o meu cão. É hoje que ingresso no frio e no Natal. É hoje que os últimos (quase) dois meses e meio vão fazer sentido.

É hoje que vejo o Porto, o rosto dos meus sobrinhos e o dos meus pais, não como imagem num ecrã mas como matéria que se abraça.

E há coisas curiosas. Esta noite, pela primeira vez em Soncente ouvi uma trovoada violenta como aquela de por vezes se ouve por Portugal. Choveu toda a noite.

Parece a epílogo do inverno que está aí à porta e qur não tarda a entrar.

Adeus Soncente. Adeus Cabo Verde. Adeus calor. Volto já.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Atribuladas últimas 24h

E se eu disser que o que se vê no céu não é neblina ou nevoeiro?
São as tempestades do deserto que chegaram... e com elas uma conjuntivite que dura há uma semana e uma rinite/bronquite/sinusite que chegou esta noite.
Talvez esteja mesmo na hora de mudar de ares!  

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Um mudar de perspectiva

A minha vinda para Cabo Verde provocou uma alteração brutal da minha perspectiva sobre imensa coisa.
Uma dessas 'coisas' é a forma como os animais circulam por aí e como ninguém lhes liga. É um facto que por aqui está quente e que chove muito pouco, mas a água escasseia profundamente, para os humanos e quanto mais para os animais. É chocante.
Os bichos circulam por aí, algumas das vezes já os vi ser escorraçados, mas a verdade é que não é muito habitual. Por vezes penso que a miséria é geral. Que a pobreza é geral, entre humanos e bichos. É incomodativo.
Cruzo-me com os animais abandonados das páginas de facebook que sigo e apercebo-me que aí somos sortudos. Que como temos a barriguinha cheia e um tecto para dormir, nos incomodamos com aquilo que está mal. Com os bichos que não têm a barriga cheia nem um tecto.
Não deixa de me chocar a quantidade de pessoas com que me cruzo que andam descalças, a pedir 5 ou 10 escudos e que se acumulam à porta dos mini-mercados.
Vir até cá fez-me bem, não só pelo clima, pelas paisagens ou pela cultura, mas por me aperceber de como o mundo está tão longe de ser justo.
(Sinceramente, naquilo que concebemos como europa, vivemos toldados, não vemos em profundidade. E é isso que me choca. As dificuldades do mundo civilizado não são na realidade 'dificuldades', porque aqui percebemos que muitos não têm que comer ou beber, defecam na rua e tantos outros anda-se descalço.)


Quarta-feira: o dia nacional da cachupa

Ou da Catchupinha, como se diz por cá.

Quanto ao bissap, é sempre uma boa altura de o beber.
O bissap é uma flor que, quando seca se ferve, como uma infusão. Deita imensa cor, lembrando um bom copo de vinho tinto. Bem geladinho e bem adocicado é óptimo.